Pedagogia do mês de DEZEMBRO 2024

01 de Dezembro de 2024


A ALEGRIA DA SALVAÇÃO NO MEIO DE NÓS

Introdução 
As celebrações litúrgicas do Tempo do Natal proporcionam uma reflexão sobre o Mistério da Salvação e a centralidade de Jesus na restauração da humanidade, para que o homem e a mulher voltem a ser sempre mais imagem e semelhança de Deus. O foco não está apenas na promessa de redenção futura, embora esta tenha seu devido destaque, mas na realidade presente que, celebrando o Natal de modo cristão, se é capaz de transformar as relações humanas, enraizando-as na justiça, na fraternidade e na reconciliação a partir dos valores do Evangelho.

Cada uma das celebrações litúrgicas natalinas, no mês de dezembro 2024, propõe aspectos fundamentais do caminho da Igreja como profetiza da esperança em meio ao caos social que tanto afeta a humanidade de nossos tempos. Um primeiro modelo encontra-se na missão profética de João Batista, outro modelo é a simplicidade singela do presépio e, um terceiro modelo está na sacralidade da família de Nazaré. Celebrando o Tempo do Natal, somos chamados a contemplar, rezar e crescer espiritualmente como comunidade e como caminhante na estrada de Jesus.

A Salvação como realidade presente
João Batista, ao lado de Isaias, José e Maria, é um personagem simbólico do Tempo do Advento em sua missão de precursor. Ele profetizará em nossas celebrações que a Salvação não é um evento a ser aguardado no futuro, mas uma realidade viva que influencia e transforma o nosso presente. Em sua resposta à pergunta "o que devemos fazer?" (1DTA-C) João Batista indica a todos, incluindo publicanos e soldados, a viver a vida de modo honesto e promovendo a fraternidade em todos os âmbitos sociais. O primeiro passo na direção do presépio, para celebrarmos bem o Natal de 2024, é propor-se a viver a vida de modo honesto e promovendo a fraternidade.

No Tempo do Advento, celebraremos a Solenidade da Imaculada Conceição. É uma Liturgia que se sintoniza muito bem com o Tempo do Advento. No contexto celebrativo das propostas do SAL, a celebração da Imaculada é um convite a contemplar a presença da Salvação divina no seio da Virgem Mãe. As leituras de Isaías e o salmo responsorial convidam à gratidão. O efeito da contemplação da obra divina na vida de Maria é colocar-se em atitude de gratidão. O segundo passo na direção do presépio, para celebrarmos bem o Natal de 2024, é fazer uma pausa na caminhada e nas lidas que envolvem esse tempo de Natal para contemplar e agradecer; gratidão.

Alegria diante de Deus
Depois da contemplação agradecida, o 3DTA-C propõe outro sentimento que nos prepara para celebrarmos de modo cristão o Natal de Jesus Cristo: o sentimento da alegria. Alegrar-se diante de Deus. Em termos de espiritualidade, mais que um sentimento humano, é graça divina de quem comunga a vida divina, como dirá São Paulo, na 2ª leitura do 3DTA-B, destacando a alegria como fruto da paz que excede todo entendimento. Alegria sem precisar explicar o motivo do contentamento.

O modo de celebrar a alegria pode (deveria) ser o mesmo de Maria, visitando Isabel (4DTA-C). O encontro de Maria com Isabel, levando sem seu seio o Messias prometido, criou uma explosão de contentamento no coração e no ventre de Isabel. Por se tratar de um contexto espiritual, a alegria não é superficial, no sentido de ser passageira, que termina em algum momento. É uma alegria que preenche o coração porque está enraizada na certeza da Salvação e na proximidade de Deus que se faz Emanuel, Deus conosco e Deus entre nós. O terceiro passo na direção do presépio, para celebrarmos bem o Natal de 2024, é encontrar tempo para cultivar, através da oração, da meditação, o encontro com Jesus, como aconteceu com Isabel, pois ele é a fonte da alegria interior.

Diante da simplicidade do Presépio
Os três passos propostos para participar da Solenidade Litúrgica do Natal — honestidade de vida, contemplação agradecida e alegria interior — nos conduzem diante da simplicidade do Presépio.

A simplicidade do presépio, que marca o nascimento de Jesus, reflete uma mística, por isso a necessidade de ingressar no Presépio, local onde nos encontramos com a pobreza divina, com honestidade, agradecidos e com alegria no coração. O presépio convida à contemplação e ao silêncio diante do Mistério da Encarnação e, para isso, a vida honesta, a gratidão e a alegria. No contexto do Ano Jubilar, iniciado no Natal, a necessidade de acrescentar uma terceira virtude: a esperança. O presépio é uma fonte de esperança para a humanidade e para cada celebrante.

Fonte de espiritualidade para a vida de cada família (Festa da Sagrada Família) que, através da honestidade, da gratidão e da alegria que enche o coração de esperança, faz com que a vida familiar se torne um espaço de crescimento espiritual. O exemplo de Jesus e Samuel, ambos encontrados no Templo, chama atenção para a importância da consagração dos filhos e filhas a Deus e o papel fundamental da educação religiosa de toda a família, deixando-se orientar pelos preceitos divinos.

Conclusão
As celebrações do Tempo do Natal constituem um tempo para renovar o reconhecimento que a Salvação já se manifesta entre nós. Não é promessa distante, mas realidade presente capaz de transformar os relacionamentos humanos e promover a esperança neste mundo marcado pelo desânimo e pelo desespero. O exemplo de João Batista, de Maria e de José ajuda-nos compreender que viver em harmonia com Deus resulta em viver em harmonia com o próximo. Neste Natal, diante do presépio e do Mistério da Encarnação, possamos contemplar a simplicidade e a profundidade do amor divino, e que essa contemplação faça crescer em nós a virtude da esperança. 
Feliz Natal!

Serginho Valle
Outubro de 2024