Pedagogia mistagógica fevereiro 2023

27 de Janeiro de 2023


Orientações para o discipulado cristão


A primeira parte do Tempo Comum é concluida com três celebrações no mês de fevereiro de 2023. São celebrações que continuam lendo e refletindo o capítulo cinco do Evangelho de São Mateus, que é conhecido como o Sermão da Montanha.


Depois da chegada ao presépio, considerando a contemplação e a adoração, que é a atitude mais religiosa do ser humano, as três primeiras celebrações do Tempo Comum — em janeiro — apresentaram Jesus como Cordeiro de Deus (2DTC), como o iluminador da vida humana (3DTC) e como Mestre da Sabedoria (4DTC).

 

A pedagogia mistagógica das celebrações do Tempo de Comum, realizadas em fevereiro, estão vinculadas ao último Domingo de janeiro (4DTC-A), no qual Jesus é apresentado como Mestre da Sabedoria divina diante de discípulos e discípulas. Em cada uma das três celebrações do mês fevereiro, Jesus ensina uma característica e uma qualidade da vida cristã para indicar como viver o compromisso de ser seu discípulo e sua discípula.

 

No contexto do ANO VOCACIONAL, os três Domingos do Tempo Comum, celebrados no início de fevereiro de 2023, contêm uma riqueza vocacional imensa e profunda sobre a vocação da vida cristã e sobre o chamado especial na Igreja para os mais diferentes ministérios. A vocação e a missão que nasce do discipulado, de tornar-se discípulo e discípula de Jesus. Somos vocacionados ao discipulado e, no discipulado, vocacionados ao serviço em diferentes ministérios.

 

As três celebrações do Tempo Comum, no mês de fevereiro, conduzem os celebrantes ao MISTÉRIO do discipulado. Trata-se de um mistério, um modo de viver a Salvação divina e de ser introduzido na vida divina. O discipulado é um MISTÉRIO e, enquanto tal, é um processo mistagógico que conduz os celebrantes na estrada de Jesus que é a estrada, o caminho da salvação.

 

Fica muito claro que Jesus não quer pessoas praticando religião alienada, mas vivendo no meio da sociedade como luz e com o sabor do Evangelho (5DTC-A). Quer discípulos e discípulas vivendo na sociedade como promotores de relacionamentos fraternos (6DTC-A); relacionamentos que sejam profundamente e radicalmente evangélicos, inspirados no Evangelho (7DTC-A). Dizendo em forma de síntese: nós vivemos a fé no meio do mundo como luz, como sal, como fermento, como fraternidade; com relacionamentos fraternos. Isto deve ser celebrado e ser comunicado com muita ênfase nas três primeiras celebrações de fevereiro.

 

Jesus não fala em modo poético. Fala em tom e com tons de compromisso. Compromete quando, no 5º Domingo, diz que somos sal da terra e luz do mundo. Veja que Jesus diz: “vós sois”. Fala de modo personalizado e não para passar um adjetivo da vida cristã, mas um substantivo, a identidade do cristão e da cristã. Como sal, o compromisso de dar sabor à vida, como luz, o compromisso de iluminar a vida com o brilho do Evangelho. Como fazer isso? Através das obras de misericórdia descritas na 1ª leitura do 5º Domingo.

 

Se existir algum perigo de achar que ser sal da terra e luz do mundo é um privilégio e não uma missão, vai entender, no 6DTC-A, que o modo de acender a luz e temperar a vida com o sal do Evangelho acontece pelo relacionamento fraterno. O relacionamento me impede de viver a religião no fingimento. Não se trata de um relacionamento que estaciona na cordialidade. Perceba que Jesus diz que não veio abolir a Lei, veio para cumprir; dar cumprimento à Lei. Isto significa que, se a Lei diz para não matar, Jesus ensina que o cumprimento da Lei, para nós cristãos e cristãs, é mais que isso: é nem mesmo chamar o outro de tolo ou de idiota. Trata-se do respeito profundamente fraterno para com a vida do outro.

 

Mas, se o relacionamento fraterno parasse no respeito para com o outro, estaria bom. Ao voltar para celebrar o 7DTC-A os celebrantes se deparam com outra exigência do amor fraterno: amar a todos, até mesmo os inimigos e aqueles que falam mal de nós. O cumprimento da Lei, proposto no 6DTC-A, acontece pela radicalidade fraterna, colocando a vida acima de tudo, até mesmo acima das inimizades e acima das antipatias que podemos ter com algumas pessoas.

 

Basicamente, a pedagogia mistagógica presente nas propostas celebrativas do SAL, nos três Domingos do Tempo Comum, em fevereiro, propõem como viver a vida cristã. Ou se quiserem: como viver a vocação da vida cristã: sendo sal da terra e luz do mundo (5DTC-A); isto acontece pelo relacionamento fraterno respeitando a individualidade do outro (6DTC-A) e colocando a vida acima de tudo, até mesmo acima das inimizades (7DTC-A). 

Serginho Valle 
Janeiro 2023