Vocacionados por Deus

28 de Dezembro de 2019


Vocacionados por Deus
Pedagogia de janeiro 2020

 
No início de um novo ano, a Liturgia faz uma proposta de vida que pode ser resumida na palavra “acolhimento”. Cada celebrante será convidado, nas celebrações que faremos no mês de janeiro, a acolher o convite divino para se tornar luz do mundo, luz para brilhar no meio da terra. Em outras palavras, para se tornar e viver como evangelizado. Quer dizer, o evangelizado é um iluminado pela luz do Evangelho.
 
Modelo de resposta vocacional
            Antes de realizar o chamado, de maneira muito pedagógica, a Liturgia propõe alguns modelos vocacionais; pessoas que foram vocacionadas e que acolheram o apelo do alto para viver fazendo a vontade divina na terra; dedicaram suas vidas ao projeto do Reino de Deus.
            A Liturgia inicia a apresentação com o exemplo da Mãe da Deus, que celebramos no 1º dia de janeiro. Maria é vocacionada para ser a Mãe do Salvador, acolhe o convite e, depois começa a refletir para entender o que significa aquele chamado. Primeiro aceita o convite, na Anunciação (Lc 1,26-38), depois reflete. Reflexão que exige silêncio, meditação e contemplação para perceber a presença divina e para responder fazendo sempre a vontade de Deus. Silenciar para meditar e conservar no coração aquilo que as palavras não conseguem explicar quando se responde ao chamado divino.
            Um segundo modelo vocacional está na figura dos Reis Magos, apresentados como peregrinos e buscadores da luz divina (Epifania). No processo de acolhimento ao chamado divino, a peregrinação é uma característica da vida cristã. Não basta ver a nova luz do Evangelho brilhando diante de nós, é preciso atitude para responder ao chamado. Tal atitude acontece quando nos tornamos caminhantes, peregrinos e buscadores da face divina.
            Por fim, o terceiro exemplo é o “Servo de Javé”, apresentado na 1ª leitura da Festa do Batismo de Jesus. O “Servo de Javé” é aquele que acolhe o chamado divino e se compromete a fazer a vontade de Deus doando a própria vida. Os evangelistas não tiveram dificuldade de identificar Jesus como o “Servo de Javé”. O modo como Jesus viveu sua vocação, relatado na 2ª leitura da Festa do Batismo de Jesus, torna-se modelo de vida para quem acolhe o chamado divino: “passou fazendo o bem”. A resposta e o compromisso com o chamado divino sugerem que passemos nossas vidas fazendo o bem.
 
Como responder ao chamado divino
            O segundo momento da pedagogia litúrgica ilumina-se nos dois primeiros Domingos do Tempo Comum quando os celebrantes são chamados, vocacionados, a acolher a vontade de Deus e responder alegremente a este chamado (2DTC-A). Não uma resposta impositiva, mas em forma de acolhida. As consequências deste chamado se manifestam por uma vida vivida no profetismo e no apostolado, não restrito ao falar, mas principalmente pelo testemunho de vida, pelo modo de viver.
            Este modo de viver sugere (3DTC-A), tanto para a comunidade como para cada cristão, assumir a atividade evangelizadora, resumida em quatro dimensões: anúncio da Boa Nova como luz do mundo, acolher a Boa Nova do Evangelho pelo discipulado, empenhar-se na restauração da vida como fazia Jesus e comprometer-se com a promoção da unidade na comunidade e na sociedade.
 
Concluindo
Celebrações que, pedagogicamente, nos colocam diante da vocação cristã como chamado divino para realizar a vontade de Deus. Celebrações indicativas que Deus não age solitariamente para que seu projeto para a vida humana, seja pessoal como social, aconteça entre nós. A vocação é chamado, é proposta, nunca exigência ou imposição. Diante do chamado somos livres em aceitar ou recusar o chamado. A pedagogia, no início do ano, coloca-nos diante do chamado divino. Como vamos reagir?
Serginho Valle