Artigos Serginho Valle


A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA

Existe uma correspondência de sinônimos e de compreensão entre Liturgia e celebração. A relação é tão evidente que a palavra Liturgia remete, quase em forma de sinônimo, à celebração. Se não corresponde ao grau gramatical de um sinônimo, o correspondente simbólico é mais evidente. Assim como uma bandeira que simboliza o país não é o país, assim a celebração não é a Liturgia e nem a Liturgia é a celebração, mas ambas não vivem uma sem a outra e se correspondem. Até mesmo se ouve, aqui e ali, expressões dizendo que acontecerá uma Liturgia para dizer que haverá uma celebração e se usa a palavra celebração para falar de Liturgia. 

Sem entrar no mérito de diferenças terminológicas e conceituais que possam caracterizar a natureza de uma e de outra, minha intenção é acender uma luz para iluminar e avaliar a qualidade litúrgica das celebrações realizadas nas comunidades paroquiais. A celebração, sem dúvida, revela o grau do zelo litúrgico e da compreensão litúrgica de cada comunidade. 

O adjetivo da palavra celebração, caracterizando-a como litúrgica, diz tratar-se de uma celebração específica, que tem características específicas, que tem a ritualidade própria daquilo que é litúrgico. Não é celebração cívica, social ou comemorativa de um aniversário, por exemplo, é “celebração litúrgica” e, por isso, é celebrada liturgicamente. 

Trata-se de avaliar a celebração a partir da Liturgia com tudo aquilo que faz parte da comunicação litúrgica com o devido fundamento teológico e espiritual e comunicacional. Avaliar a celebração com aquilo que é culturalmente litúrgico; que faz parte da cultura litúrgica, no nosso caso, cultura litúrgica romana. 

A Liturgia da Igreja romana tem um cultura litúrgica própria e é dentro dessa cultura que se caracteriza o seu “modus celebrandi” e não a partir de outros possíveis apelos, como a cultura da comunicação do entretenimento musical por exemplo, transformando as celebrações em cantorias. Outros exemplos poderiam ser propostos, como transformar as celebrações em palestras ou conferências. Exemplos que indicam desvirtuamento daquilo que caracteriza uma celebração como litúrgica.

Um princípio básico para se avaliar a qualidade de qualquer atividade comunicativa, como é a celebração litúrgica, é o conhecimento do conteúdo comunicado. No caso de um processo comunicativo como a celebração litúrgica, existe a necessidade de conhecimento teológico, espiritual, pastoral, Bíblico e eclesiológico. 

O dado eclesiológico considera tanto o fato de ser toda a Igreja que celebra e o modo como a Igreja celebra. A Missa, por exemplo, é celebrada com o Missal de Paulo VI, um indicativo da unidade eclesial. 

São elementos que fundamentam qualquer processo comunicativo eclesial. Evidentemente, o processo comunicativo litúrgico não se fundamenta em gostos pessoais, mas em fundamentos teológicos, eclesiológicos, espirituais, pastorais, Bíblicos. 

Vamos dizer a mesma coisa acrescentando outros elementos: a celebração litúrgica acontece num processo comunicativo que envolve conteúdo (teológico, espiritualidade, Bíblia, devoção…), elementos psicológicos (sentimento, emoção…), comportamentos (ritos e gestos) e finalidades (cantar a celebração…). A desconsideração de tais elementos, de um único que seja, afeta a qualidade e a finalidade da celebração litúrgica, no que se refere à finalidade litúrgica determinada pela Igreja.

O desconhecimento de fundamentos comunicativos litúrgicos resulta em celebrações descaracterizadas por priorizar outros modelos comunicativos, como de comunicação de entretenimento, que tem a finalidade de animar plateias. A comunicação litúrgica não tem a finalidade de entreter plateias.


O que caracteriza uma celebração 
A celebração litúrgica caracteriza-se como um acontecimento e, no caso, um acontecimento caracterizado como celebrativo e como litúrgico. Celebra-se um “conteúdo” e celebra-se este conteúdo liturgicamente. O fato de ser litúrgico, no contexto eclesial, tem a ver com o Mistério Pascal de Cristo e isso é celebrado liturgicamente com a orientação da Igreja. A Liturgia é da Igreja e não do padre. 

Uma segunda característica é que a celebração litúrgica, do ponto de vista do processo comunicativo que lhe é próprio, acontece e realiza-se em uma assembleia litúrgica que, por sua vez, é a presença da Igreja reunida em celebração do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Facilmente se deduz não se tratar de algo pessoal, no sentido que a celebração é do padre ou do bispo e, nem mesmo, da comunidade. É uma assembleia eclesial, presença da Igreja e, por isso, a celebração é da Igreja enquanto corpo de Cristo (1Cor 12,27). Não se celebra de modo personalizado, mas eclesialmente, como manifestação (epifania) da Igreja reunida ministerialmente na assembleia. 

Por fim, a terceira característica diz respeito ao processo comunicativo comum em todas as celebrações litúrgicas, acontece com várias linguagens rituais que envolve a oralidade, a gestualidade, o vestuário, sinais, símbolos, música… todos, no caso da comunicação litúrgica, fundamentados e inspirados na História da Salvação e mais especificamente, no Mistério Pascal Jesus Cristo. Isso acontece com fundamento Bíblico, teológico, espiritual e eclesial. Por isso, enquanto celebração realizada pela Igreja, quem celebra acolhe o modo como a Igreja celebra em atitude de obediência e, o que é comum ao gesto da obediência, humildade. 


CONCLUSÃO  
É considerando estes aspectos e verificando que existe uma possibilidade de refletir com você sobre o conteúdo e o conhecimento de tudo que se refere à celebração litúrgica, em vista de se ter celebrações qualificadas, estou propondo uma reflexão com cinco catequeses e mais sete pequenos artigos sobre CELEBRAÇÃO LITÚRGICA. 

O número cinco é pedagógico nesta minha proposta: uma catequese por dia, no espaço de uma semana, considerando aqui, de segunda à sexta, por exemplo. Ou, um final de semana de formação litúrgica, para um pequeno grupo, com cinco catequeses (a maior parte de 30 minutos cada), a leitura dos artigos e, em cada artigo, um questionário didático; assim, assistir 30 minutos de catequese, leitura dos artigos de 2 ou 3 páginas, partilha sobre o modo como a CELEBRAÇÃO LITÚRGICA é celebrada na comunidade com a finalidade de compreender o que é a celebração litúrgica e celebrar cada vez mais liturgicamente.

Se você quiser conhecer mais e me der a alegria de poder ajudar sua comunidade, CLIQUE NO LINK abaixo: 
https://lp.liturgia.pro.br/celebracao-liturgica-catequeses

Serginho Valle 
Maio de 2026